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Sexta, 28 Abril 2017 17:28

Como escolher um SUV com o olhar de um mecânico

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Não tenho a menor dúvida que o sucesso dos SUVs está ligado à altura do carro em relação ao solo: dirigir podendo olhar por cima dos outros carros gera uma sensação agradável. Mas, antes de efetivar a compra, é preciso atentar para algumas características destes “carrões”:

- mais gastos
- peso X potência
- carro alto tem que ter roda grande?
- estabilidade
- hora de manobrar
- entrar e sair

Vamos ver cada item em detalhes:

Nem sempre o SUV é o primeiro carro da pessoa. Normalmente, o consumidor considera esse tipo de veículo uma ascensão: ele tem um hatch, depois vai para um sedã e aí chega ao SUV, que é mais caro.

Esse custo a mais também vai aparecer depois da compra: como um carro mais alto e mais pesado, o SUV vai consumir mais combustível. A manutenção e o seguro também serão mais caros. Precisa ver se isso tudo cabe no seu bolso.

Se for zero, fique atento aos preços de revisões de 10.000 km e 20.000 km, e verifique o custo de peças básicas. Exemplos:

- o preço de um jogo de pneus aro 18, dependendo das especificações, pode ser de até 200% maior que o pneu com aro 14;

- o gasto com pastilhas e discos de freio, que também são itens comuns nas revisões, pode ser até 300% maior em relação aos carros médios.

Se um carro é pesado, a potência do motor é importante. Alguns SUVs possuem versões com motores focados em economia de combustível e, quando se coloca 4 pessoas mais bagagens, o desempenho fica prejudicado. Principalmente se o motor for combinado com câmbio automático, que é mais pesado.

Antes de ir à loja, dê uma olhada na ficha técnica dos modelos que interessam a você: pegue o peso do carro e divida pelo valor da potência do motor.

Não estou dizendo que não deva comprar se este número for baixo, afinal se você é solteiro, sem filhos e anda a maior parte do tempo com uma ou duas pessoas, talvez a potência do motor não deva ser o mais importante.

Mesmo assim, no test drive, tente sair do roteiro do vendedor e procure uma ladeira. Sinta como o motor reage com o carro vazio e imagine a mesma situação com o carro carregado.

Nem sempre, depende do modelo. O tamanho da roda influencia no conforto dos passageiros e na vida útil das peças da suspensão: quanto maior o diâmetro da roda, melhor a suspensão absorverá as imperfeições do asfalto.

Quem já guiou uma Vespa sabe do que estou falando: rodas de diâmetro menor acompanham todas ondulações do asfalto, gerando um volume de oscilações maior na suspensão e exigindo mais de amortecedores, buchas e coxins.

Portanto, na hora comparar, dê preferência para um SUV que tenha as rodas com diâmetro maior. Em geral, os SUVs mais recentes têm saído com rodas aro 16 ou 17. Mas, cuidado: em alguns poucos modelos com as rodas grandes e pneu de perfil baixo, o ganho de conforto não é significativo.

Mais uma vez a melhor maneira de identificar uma suspensão macia é durante o test drive.

Procure passar em ruas bem esburacadas, ao lado de pontos de ônibus, onde o asfalto costuma estar ruim. Ponha o pé esquerdo inteiro no assoalho do carro e agarre firmemente o volante para sentir as oscilações. Veículos com bancos muito macios podem encobrir suspensões ruins.

Repita este procedimento em todos os testes e você perceberá a diferença entre os SUVs: pode ter certeza de que não são todos iguais.

Todo carro tem um centro gravitacional, o “CG”. Quanto mais baixo o carro, mais baixo é o “CG”. Por isso muitas fabricantes de carros esportivos alardeiam tanto que conseguiram o “CG” mais baixo no segmento: significa que o carro ficará mais “grudado” ao chão, permitindo uma dirigibilidade mais ousada.

Em carros altos, como SUVs e picapes, o “CG” é mais alto, claro. Por isso, eles podem ser menos estáveis do que carros baixos. O risco de capotar, por exemplo, é maior.

Atualmente há uma série de sistemas de segurança que ajudam a manter o carro “no chão”. Infelizmente, apenas o ABS, que evita o travamento das rodas numa frenagem mais brusca, é obrigatório no Brasil até agora.

Mas, como vários SUVs custam perto de R$ 100 mil, muitos deles oferecem (e devem, por esse preço) distribuição eletrônica de frenagem (EBD), controle de tração e de estabilidade (ESC ou ESP), suspensão traseira independente, etc.

E, falando em segurança, há modelos com mais do que os 2 airbags frontais obrigatórios. Isso tudo deve ser levado em conta: veja com calma a lista de equipamentos de cada versão.

Um SUV tem que ser bom de manobra: carro grande que esterça pouco o volante é cansativo, principalmente para quem faz uso urbano intenso, como levar filhos à escola, ir ao mercado, situações onde a quantidade de manobras é grande.

Assim, verifique o ítem “diâmetro de giro” na ficha técnica dos carros. Quanto menor, melhor será a capacidade de esterçar as rodas. Veja alguns exemplos:

Modelo                   Diâmetro de giro (metros)        Diâmetro das rodas (polegadas)
Nissan Kicks                   10,2 ......................................................... 17
Honda HRV                     10,6...........................................................17
Mitsubishi ASX                10,6............................................................18
Hyundai Tucson              10,8............................................................16
Jeep Renegade               10,8............................................................16
Honda CR-V                    11,4............................................................17
Chevrolet Traillblazer       11,8............................................................18

Cabe salientar que veículos longos, com grande distância entre eixos, exigem algum cuidado nos primeiros contatos. Por exemplo, para dobrar a esquina sem ralar a roda na guia ou mesmo com as colunas de garagem.

Para muitos, a altura é o ponto forte dos SUVs, mas esse é um item que vai dizer se você comprará outro carro igual daqui alguns anos ou nunca mais.

Não são poucas as pessoas que compraram esportivos como o SLK, da Mercedes, ou o Z3, da BMW, e tiveram sérios dissabores com a entrada e saída desses carros, que são bem baixos.

O mesmo problema ocorre em carros muito altos. Pessoas idosas e de baixa estatura têm muita dificuldade. Minha sogra é um exemplo: com seus um 1,58 m de altura, tem dificuldade para subir no banco traseiro de um Honda CR-V. Então, considere quem vai usar o carro.

Fique atento também se ele cabe na sua garagem ou vai resultar em briga comprada com o vizinho de vaga –ou se você tem espaço suficiente para fechar o portão e descarregar o carro com o portão fechado. Parece bobagem, mas às vezes o encantamento “cega” a gente para certos detalhes.

Bons negócios!

Fonte: http://g1.globo.com

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