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Quinta, 17 Agosto 2017 12:51

Tenha cuidado com amortecedores recondicionados

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Pode acreditar, já vi de tudo quando se trata de peças recondicionadas, desde peças melhores que as originais até peças que jamais deveriam ser instaladas. Mas antes de dar as dicas é preciso entender o básico...

Para que serve o amortecedor?
Muito mais do que dar conforto aos ocupantes do carro, os amortecedores têm por objetivo manter o contato dos pneus com o solo, distribuindo as cargas dinâmicas (peso do carro em movimento) em todas as situações de rodagem, como retas, curvas, pisos irregulares, frenagens, acelerações ou a conjunção destes fatores, permitindo que o motorista tenha o controle sobre o veículo.

Quando você deve trocar os amortecedores?
Um jogo de amortecedores pode durar 80 mil km ou pode apresentar problemas já com 30 mil km. Os fabricantes indicam a troca entre 40 mil e 50 mil km. Esta é apenas uma referência, pois a durabilidade é diretamente proporcional ao peso do carro, tipo de pavimento das ruas e a maneira como o motorista conduz o veículo.

Muitas vezes o amortecedor perde a eficácia e você nem percebe, por isso uma revisão a cada 10 mil km é indicada. Amortecedores "vencidos" podem desgastar os pneus prematuramente, causar danos a outras peças da suspenção, como coxins do motor e buchas de bandeja, entre outras. O pior de tudo é a estabilidade, que vai embora. E junto dela, também vai embora a segurança dos ocupantes.

Os defeitos mais comuns são:
- Vazamento de óleo hidráulico;
- Falta de pressão: a suspensão fica muito mole, é como se o carro estivesse apenas sobre as molas;
- Travamento da haste: o amortecedor endurece, não sobe nem desce.

É preciso ter consciência da importância dos amortecedores na estabilidade do carro, e consequentemente na responsabilidade que o motorista assume quando ele instala uma peça de origem duvidosa no seu carro.

Estamos falando de veículos que pesam no mínimo uma tonelada e se deslocam a 120 km/h. Com este peso e essa velocidade, um possível travamento do amortecedor poderá leva-lo a fazer uma visita bem desconfortável na pista contrária, em muitos casos não dando a chance de você voltar na loja para reclamar.

Olha só, não estamos falando de retrovisores, faróis, travas elétricas. Estamos falando de uma peça que trabalha mais de 1 milhão de vezes a cada mil quilômetros rodados. Então não existe a possibilidade de um recondicionamento mediano. Ou ele é muito bem feito ou não instale a peça.

Se você não souber avaliar o que está comprando, peça a ajuda para alguém ou então faça a opção por peças originais.

Não estou dizendo que você não deve comprar uma peça remanufaturada. Se você possui aquele carro importado, cujo jogo de amortecedores originais custa mais que o próprio carro, você não terá outra opção.

Além disso, eu seria injusto com muitos profissionais sérios e responsáveis que realizam excelentes recondicionamentos, com ferramental apropriado, conhecimento técnico sobre resistência dos materiais, tipos de solda e tratamentos superficiais.

O problema é que são poucas as empresas gabaritadas para realizar esse tipo de reparo em uma peça de tamanha importância.

É preciso entender que uma peça recondicionada, que irá trabalhar 1 milhão de vezes em apenas mil quilômetros, não pode ser avaliada como boa ou ruim abaixando e soltando o carro logo após a instalação. Por isso, cuidado com o que lhe é oferecido.

Não se deixe levar por experiências isoladas. O fato de você ou um amigo ter se dado bem, ou mal, com determinado amortecedor não o habilita a generalizar sobre a qualidade desta ou daquela marca. Aqui quem manda são os dados estatísticos, e infelizmente o mercado não olha com bons olhos para este tipo de peça recondicionada, principalmente porque a durabilidade costuma ser inferior em relação às peças originais.

Quem são os principais clientes deste tipo de peça?
Taxistas, motoristas de aplicativos, proprietários de veículos blindados, donos de veículos importados e jovens que de forma imprudente querem alterar o comportamento da suspensão e esquecem que qualquer alteração no projeto original pode danificar outras peças do conjunto a médio e longo prazo. Essas modificações ainda podem gerar algum tipo de imprevisibilidade e descontrole em situações extremas.

Vamos para as dicas?
Caso seja necessário o recondicionamento da haste, ele deve ser feito em retíficas. Nada de tornos. O objetivo é deixa-lá na dimensão correta, com muita precisão e ótimo acabamento superficial, incluindo uma camada de cromo para endurecer a superfície, melhorando sensivelmente sua vida útil.

O óleo que é utilizado internamente deve ser obrigatoriamente óleo hidráulico, pois não pode sofrer grande variação de viscosidade quando aquecido. Isso implicará em alteração do comportamento do amortecedor, e consequentemente da suspensão. Em hipótese alguma pode ser utilizado óleo de motor.

A solda de fechamento do tubo é um item de grande responsabilidade e não deve ser feita com óxido acetileno, e sim com uma solda elétrica (MIG) de alta resistência.

Anéis e vedadores utilizados no recondicionamento devem ser fabricados com materiais específicos, que oferecerão resistência à ação química do óleo, resistindo à intensidade das pressões e ao atrito dos milhões de sobe e desce.

De maneira geral os mecânicos sabem muito bem quais são as peças de qualidade, até porque eles não serão ressarcidos pela mão de obra extra ou por qualquer outro dano causado em outra peça da suspensão caso tenham que substituí-las pela garantia.

Alguns reparadores simplesmente substituem o óleo e pintam a carcaça externa. Será esse um serviço de qualidade? Não. Fuja deles!

Estes mesmos cuidados se aplicam a outras peças de grande responsabilidade, passíveis de recondicionamento como caixas de direção, pinças de freio, pivôs, terminais, enfim, todas as peças que de alguma maneira possam colocar você e seus ocupantes do veículo em risco.

Fonte: http://g1.globo.com

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